Pará propõe lei que obriga agressores de mulheres a pagar tornozeleira eletrônica
Projeto enviado à Alepa prevê que acusados arquem com custos do monitoramento eletrônico como medida protetiva
A governadora do Pará, Hana Ghassan, anunciou nesta terça-feira (5) o envio à Assembleia Legislativa do Estado (Alepa) de um Projeto de Lei que prevê a responsabilização financeira de agressores de mulheres pelo custeio de tornozeleiras eletrônicas. A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher no estado.
Pela proposta, o agressor deverá pagar pelo dispositivo de monitoramento eletrônico imposto pela Justiça como medida cautelar. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o custo diário da tornozeleira é de R$ 8,35, o que ultrapassa R$ 250 mensais.
“Ameaçou ou agrediu, vai responder na Justiça e vai sentir no bolso. No Pará, agressor de mulher não vai ter paz”, afirmou a governadora.

O projeto também estabelece regras para ressarcimento em casos de dano, perda ou inutilização dos equipamentos, sem criar novas funções ou cargos públicos.
Monitoramento em tempo real
As tornozeleiras eletrônicas permitem o rastreamento em tempo real, via GPS e rede móvel, de pessoas sob medidas judiciais. O equipamento é resistente à água e emite alertas automáticos em casos de violação, descumprimento de perímetro ou bateria baixa.
O acompanhamento é feito pela Central Integrada de Monitoramento Eletrônico (Cime), ligada à Seap.
Dados do órgão apontam que, entre novembro de 2023 e fevereiro de 2025, foram registrados:
- 1.473 dispositivos danificados ou perdidos
- 2.241 carregadores extraviados
Os valores ressarcidos, caso o projeto seja aprovado, serão destinados ao Fundo Penitenciário do Estado do Pará (Funpep).
Rede de proteção e aumento das denúncias
O Pará conta atualmente com mais de 20 Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), além de uma unidade voltada ao feminicídio e da DEAM Virtual, que permite o registro online de ocorrências e solicitação de medidas protetivas.
Segundo o governo, o aumento no número de denúncias nos últimos anos está relacionado à ampliação da rede de proteção e à maior conscientização sobre os canais disponíveis.
Ações recentes do governo
A proposta integra uma série de medidas adotadas desde o início da gestão de Hana Ghassan.
Entre elas está a operação Escudo Feminino, realizada em abril, que resultou em:
- 23 prisões em flagrante
- 2.602 atendimentos a mulheres
- ações em 121 municípios
- fiscalização de 1.144 endereços
Mais de 1,6 mil agentes de segurança participaram da operação.
Plataforma SOS Mulher 190
Outra iniciativa é a plataforma SOS Mulher, integrada ao número 190. O serviço permite que mulheres façam um cadastro prévio para atendimento prioritário em situações de emergência.
Com a ferramenta:
- a identificação é imediata no sistema
- a localização é feita por geolocalização
- não é necessário ter medida protetiva
Como denunciar
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por diferentes canais:
- Delegacias da Polícia Civil
- Disque-Denúncia 181 (anônimo e gratuito)
- WhatsApp da assistente virtual “Iara”: (91) 3210-0181








