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Governador Helder Barbalho articula medidas em Brasília para proteger cacau do Pará e ampliar exportação de carne aos EUA

Reunião no Ministério da Agricultura discute importação de cacau africano, fortalecimento da cadeia do dendê e habilitação do Pará para exportar carne bovina in natura aos Estados Unidos

Atualizado em 15/02/2026 às 20:02, por Waldiney Ferreira.

Helder em Brasilia

O governador do Pará, Helder Barbalho, esteve nesta quarta-feira (11), em Brasília, para uma reunião estratégica no Ministério da Agricultura e Pecuária. Ao lado do ministro Carlos Fávaro e de lideranças políticas e do setor produtivo, o chefe do Executivo paraense tratou de pautas consideradas prioritárias para o fortalecimento do agronegócio no Estado, com foco na valorização do cacau e do dendê, além da abertura do mercado norte-americano para a carne bovina paraense.

A agenda reuniu representantes de municípios como Uruará, Vitória do Xingu, Medicilândia, Senador José Porfírio, Anapu, Placas, Altamira, São Félix do Xingu, Brasil Novo e Tucumã, além de lideranças do Nordeste paraense.
 

Proteção ao cacau paraense e revisão das importações

Um dos principais temas discutidos foi a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim. Produtores paraenses manifestam preocupação com a Instrução Normativa nº 125/2021, que revogou a exigência de tratamento fitossanitário com brometo de metila para o produto africano. Segundo representantes do setor, a flexibilização pode ampliar o risco de entrada de pragas capazes de afetar as lavouras brasileiras. Durante a reunião, Helder Barbalho reafirmou o compromisso com os produtores:

“Nós assumimos o compromisso de garantir proteção à produção do cacau e assegurar melhor valor ao produto paraense. Vamos trabalhar para evitar que o produto nacional seja prejudicado pela importação”, afirmou.

Encaminhamentos definidos

O Ministério da Agricultura anunciou quatro frentes de atuação:

Reavaliação sanitária das importações

Revisão do regime de drawback (isenção de impostos para cacau importado)

Análise das tarifas e cotas de importação

Ampliação da promoção comercial do cacau brasileiro

O ministro Carlos Fávaro destacou a estratégia de expansão internacional:

“Vamos buscar mercado. Vamos vender para a Suíça, para o mercado europeu e para a Rússia. O mercado está aberto”, declarou.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também deverá revisar previsões de safra e preços mínimos do cacau.

Pará lidera produção e destaca qualidade internacional

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, o Pará exporta cerca de 50 mil toneladas de produtos beneficiados de cacau e mais 5 mil toneladas de amêndoas.

Ele ressaltou ainda que a amêndoa paraense já foi reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo pelo Conselho Internacional do Cacau.

A presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, destacou que a reunião representa um avanço nas reivindicações do setor.

Dendê: setor pede suspensão de cota de importação

Outro ponto central da agenda foi o fortalecimento da cadeia do dendê. Atualmente, o Brasil mantém uma cota superior a 150 mil toneladas para importação do produto.

O governo do Pará defende a suspensão dessa cota, argumentando que o Estado possui produção suficiente para atender a demanda nacional.

Segundo o diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo:

“O Pará tem uma produção muito forte, com frutos abarrotados dentro da indústria. A pauta é que o Brasil processe apenas os frutos produzidos internamente.”

O Estado é atualmente o maior produtor de dendê do Brasil.

Carne bovina: expectativa de abertura do mercado dos EUA

A habilitação do Pará para exportar carne bovina in natura aos Estados Unidos também esteve em pauta. O Estado já possui status sanitário de zona livre de febre aftosa sem vacinação, requisito fundamental para acesso ao mercado norte-americano.

Helder Barbalho destacou que o Pará possui o segundo maior rebanho bovino do país e defendeu a exportação de produtos industrializados como forma de gerar emprego e agregar valor à cadeia produtiva.

A expectativa é que o Ministério avance no diálogo para viabilizar uma missão técnica americana ao Estado, passo necessário para a abertura oficial do mercado.

Impacto econômico e estratégico

O agronegócio é uma das principais bases da economia paraense. Segundo o governador, garantir competitividade e ampliar mercados é essencial para fortalecer a balança comercial do Estado e proteger suas vocações produtivas.