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Chuvas intensas isolam cidades no Pará e deixam BR-230 intrafegável

Decretos de emergência em Placas e Uruará apontam milhares de afetados e risco de desabastecimento na região da Transamazônica

Atualizado em 24/03/2026 às 21:03, por Waldiney Ferreira.

As fortes chuvas que atingem o oeste do Pará têm causado sérios transtornos na região da BR-230, a Transamazônica. Trechos da rodovia estão completamente alagados ou tomados por atoleiros, dificultando o tráfego e isolando comunidades inteiras. Diante da gravidade da situação, os municípios de Placas e Uruará decretaram estado de emergência.

Em diversos pontos da rodovia, a cena lembra o verso do carimbó paraense “esse rio é minha rua”, de Paulo André. A cerca de 20 quilômetros de Uruará, o transbordamento do rio Uruará deixou a estrada submersa, obrigando motoristas a se arriscarem em meio à água.
 

BR-230

Veículos de pequeno porte precisam ser transportados por guinchos ou tratores, enquanto outros condutores enfrentam longas horas — ou até dias — presos em atoleiros. Em um dos trechos mais críticos, no quilômetro 225 entre Uruará e Placas, um micro-ônibus precisou da ajuda de três máquinas para ser retirado da lama.

A situação não é nova. Todos os anos, durante o período chuvoso, a falta de pavimentação em mais de 200 quilômetros entre Medicilândia e Rurópolis transforma a rodovia em um desafio para quem depende da via.

Emergência decretada e milhares de afetados

No município de Placas, a prefeitura decretou situação de emergência após o registro de chuvas intensas no dia 19 de março de 2026. Dados oficiais apontam que cerca de 4.500 pessoas foram afetadas, sendo 500 desalojadas e aproximadamente 4 mil impactadas diretamente.
 

As chuvas provocaram a destruição de pontes, rompimento de bueiros e deixaram cerca de 300 quilômetros de estradas vicinais intrafegáveis. Comunidades rurais ficaram isoladas, agravando ainda mais a situação.

A BR-230, principal acesso ao município, também apresenta trechos intransitáveis, o que já começa a causar desabastecimento de itens essenciais, como alimentos e combustíveis.

Zona rural sofre os maiores impactos

Com cerca de 65% da população vivendo na zona rural, os efeitos das chuvas são ainda mais severos. Agricultores familiares enfrentam dificuldades para escoar a produção, o que compromete a renda e o sustento das famílias.
 

Além disso, estudantes estão tendo dificuldades para chegar às escolas, já que o transporte escolar não consegue acessar diversas localidades devido às condições das estradas.

Os danos incluem ainda alagamentos em áreas urbanas, pontes danificadas, estradas cortadas e riscos ambientais, como a contaminação de fontes de água.

Medidas emergenciais e apoio necessário

O decreto municipal autoriza a mobilização de órgãos públicos, a convocação de voluntários e a realização de ações emergenciais para atender a população afetada.

Entre as primeiras medidas adotadas estão a distribuição de cestas básicas e o fornecimento de água potável para famílias atingidas. No entanto, a prefeitura já sinaliza que não possui recursos suficientes para enfrentar a crise sozinha e solicita apoio dos governos estadual e federal.
 

Isolamento agrava crise na região

Enquanto Uruará ainda conta com acesso alternativo pela rodovia PA-370, que liga o município a Santarém, a situação em Placas é mais crítica.

Localizada entre Uruará e Rurópolis, a cidade depende quase exclusivamente da BR-230. Com a rodovia comprometida, o município enfrenta isolamento e dificuldades logísticas, o que impacta diretamente o abastecimento e a mobilidade da população.

A recorrência dos problemas na Transamazônica reforça a necessidade de investimentos estruturais na rodovia, especialmente nos trechos ainda sem pavimentação.